Vem,
Porque dos rios ando tão seca,
E tudo em mim já estiou.
Nem de saudade meu peito alegra,
Pia baixinho. Feito pinto, pio.
Porque tem horas, meu amor,
Que o vazio chega tamanho,
Que não há riso, nem rumo, nem seta.
Só o vazio, vazio de ar.
E nessas horas procuro cega,
Qualquer pingo d’água,
Qualquer gota que na minha calha calhe
Displicente, corriqueira, comum.
Vem,
Ando doente, quero ter tempo.
Cada segundo.
Bebê-lo nessa sede,
Umedecer cada vinco,
Cada micro vinco,
Cada semente.
Vem,
Ando chorosa,
Ninguém vê graça,
Estou perdida,
Cansada,cansada,
Nem sei se estou...